Certamente
os Maias foram mal interpretados quanto ao fim catastrófico da humanidade. Não
é de se espantar, vivemos em uma sociedade onde o fluxo de informações é
assombroso e o tempo e disposição para análise e crítica de seus conteúdos são
relegados a segundo plano.
A catástrofe vende, então que a catástrofe
seja a verdade! O fato, que a maioria de nós se recusa a pesquisar é que o
calendário Maia foi baseado em um ciclo, ao término deste ciclo a contagem é
reiniciada a partir do zero, como em um hodômetro, que mede a quilometragem de
um carro (como é perfeitamente ilustrado em um vídeo produzido pela NASA).
O próximo dia 21 de dezembro é o
correspondente ao fim deste ciclo no nosso calendário, portanto, não se
preocupem, ainda não é o momento de correr pelados pela rua! O máximo que
ocorrerá é o reset do calendário,
que aliás, não é nem o utilizado por nós. Ou seja: isto não afeta em nada a sua
ou a minha vida, a não ser, é claro, em potenciais piadas sobre o fim.
Esta discussão levantada
despreocupadamente no bar, cruzada com outras idéias, levou à seguinte
reflexão: assim como o calendário maia, a humanidade não está precisando se
restabelecer?
A demasiada facilidade de acesso aos
bens, a alienação derivada da enxurrada de informação, a inversão de valores se
encontram em um nível tal em que há uma
enorme dificuldade em projetar um ser humano no outro.
Tudo está à venda!
Tudo é descartável!
Educação.
Saúde.
Fé.
Não há boas perspectivas para nossa sociedade. Seria esta a
hora de retomada de consciência? Seria esta a hora de redirecionar nossos
valores? Talvez o calendário Maia nos permita refletir sobre esta perspectiva
de reset moral.
- Afinal – uma voz se destacou no caos do bar – quem disse
que o fim do mundo tem que ser ruim?
De fato. Quem disse?
